Diabo na Cruz : Virou! (2009).
Filarmónica Fraude : Flor de laranjeira / Animais de estimação (1969).
Virgem Suta : Virgem Suta (2009).
Clique para ouvir em mp3 ou em wma
| 07-Ago-2009 | |
Por Jonathan Cook, em Nazaré
O forte apoio a Israel expressado nas secções de conversa dos sítios web, nos fóruns da Internet, nos blogs, no Twitter e Facebook, pode não ser tudo aquilo que parece. Foi noticiado que o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel iria estabelecer uma equipa especial e incógnita de trabalhadores cuja tarefa seria navegar na Internet 24h por dia, disseminando boas notícias sobre Israel. Jovens israelitas sedentos de Internet, principalmente aqueles que se formaram recentemente e soldados desmobilizados com conhecimentos de línguas, estão a ser recrutados para actuarem como cibernautas normais enquanto divulgam as posições do governo sobre o conflito no Médio Oriente. "Para todas as intenções e propósitos, a Internet é um teatro de operações no conflito israelo-palestiniano e nós temos de ser activos nesse teatro, caso contrário, perdemos", disse Ilan Shturman que é o responsável pelo projecto. A existência de uma "equipa de Guerra na Internet"surgiu quando foi incluída no orçamento deste ano do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Cerca de 150.000 dólares foram postos de lado para a primeira fase de desenvolvimento, com um acréscimo esperado para o próximo ano. A equipa ficará sob a autoridade de extenso departamento que já lida com aquilo a que os israelitas apelidam de hasbara, oficialmente traduzido por "explicações públicas", mas que geralmente significa propaganda. Inclui não apenas o trabalho de relações públicas do governo como também assuntos mais secretos que o ministério tem com várias organizações privadas e iniciativas que promovem a imagem de Israel na imprensa, na TV e na Internet. Numa entrevista dada este mês ao jornal de negócios Calcalist, Shturman, o director-adjunto do departamento do hasbara, admitiu que a sua equipa estava a trabalhar sob disfarce. "Os nossos agentes não dirão: ‘Olá, eu sou do departamento de hasbara do Ministério dos Negócios Estrangeiros e quero-lhe dizer o seguinte'. Nem se identificarão necessariamente como israelitas", disse ele. "Falarão como cibernautas e cidadãos e vão escrever respostas que parecem pessoais mas serão baseadas numa lista de mensagens que o Ministério desenvolveu." Rona Kuperboim, colunista no Ynet, o site de notícias mais popular de Israel, denunciou a iniciativa acrescentando que era um indicador de que Israel se tinha tornado num "estado polícia do pensamento". Disse ainda que "boas relações públicas não tornam a realidade nos Territórios Ocupados mais bonita. Estão a ser mortas crianças, lares estão a ser bombardeados e famílias estão a morrer à fome." A sua coluna foi saudada por vários talkbackers1 que perguntaram como é que podiam candidatar-se a esse trabalho na equipa do Ministério. O projecto é a formalização das práticas de relações públicas que o ministério desenvolveu especificamente para o ataque de Israel a Gaza em Janeiro e Fevereiro últimos. "Durante a Operação em Gaza, apelámos às comunidades judaicas no estrangeiro e, com a sua ajuda, recrutámos alguns milhares de voluntários que se juntaram a outros israelitas", disse o Sr. Shturman. "Nós fornecemos o material de enquadramento e de hasbara e enviámo-los para representarem o ponto de vista de Israel no sites de notícias e em sondagens na Internet." Não obstante ter sido criticado por organizações de direitos humanos por enganar os visitantes sobre aquilo que era mostrado nas imagens, o exército israelita também teve uma conta num dos sites mais populares no site de partilha de vídeos, YouTube, onde disponibilizava vídeos regularmente. O sr. Shturman afirmou que durante a Guerra, o ministério tinha de concentrar as suas actividades nos sites europeus onde as audiências eram mais hostis à política de Israel. Nos lugares cimeiros da lista estariam o site daBBC News e sites árabes, acrescentou ainda. Elon Gilado, que lidera a esquipa, disse ao Calcalist que muitas pessoas contactaram o ministério oferecendo os seus serviços durante o ataque a Gaza. "Pediam informações e depois víamos que estas eram distribuídas por toda a Internet." Sugeriu que teria havido cooperação generalizada do governo e do Ministério da Integração a fornecer contactos de centenas de imigrantes recentes em Israel que escreveram material pró-israelita nas suas línguas maternas para sites. Espera-se que a nova equipa aumente o grau de cooperação entre o Ministério e um grupo privado de activismo, giyus.org (Give Israel Your United Support - Dá a Israel o Teu Apoio Unido). Cerca de 50 000 activistas fizeram o download do programa designado por Megaphone que envia alertas para os seus computadores quando um artigo crítico de Israel é publicado. Posteriormente, eles devem bombardear o site com mensagens e comentários de apoio a Israel. Nasser Rego do Ilam, um grupo baseado em Nazaré que monitoriza os média israelitas, afirmou que as organizações árabes em Israel estão entre aquelas que são um alvo regular dos grupos de hasbara para um "assassinato de carácter" e receia que esta nova equipa tente dar um aspecto mais profissional e convincente a este tipo de trabalho. "Se estas pessoas não estão a representar-se como deve ser, podemos concluir que não se preocuparão em descrever erradamente os indivíduos e organizações de que falam. Claramente, o seu objectivo será desacreditar aqueles que defendem os direitos humanos e justiça para os palestinianos." Quando o The National contactou o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Yigal Palmor, um representante, negou a existência da equipa da Internet, embora tenha admitido que alguns funcionários estavam a iniciar a exploração dos novos meios de comunicação. Declinou dizer quais os comentários do sr. Shturman e do sr. Gilad foram mal descritos pelos média de língua hebraica e disse que o Ministério não tomaria nenhuma acção sobre os relatórios. Israel desenvolveu uma aproximação cada vez mais sofisticada aos novos média desde que lançou a campanha "Marca Israel" em 2005. Estudos de Mercado persuadiram os responsáveis de que Israel deveria publicar boas notícias sobre sucesso no mundo empresarial e publicar igualmente descobertas científicas e médicas que envolvem israelitas. O sr. Shturman afirmou que o seu pessoal iria procurar usar os sites para melhorar "a imagem de Israel como um estado desenvolvido que contribui para a qualidade do ambiente para a humanidade". David Saranga, chefe de relações públicas do consulado-geral de Israel em Nova Iorque, que tem pressionado para uma maior publicação de mensagens sobre Israel, defendeu que este está em desvantagem perante o activismo pró-palestiniano. "Ao contrário do que acontece no mundo muçulmano, no qual centenas de milhões adoptaram a narrativa palestiniana contra Israel, o mundo judeu conta apenas com 13 milhões", escreveu no Ynet. Israel está particularmente preocupado com o facto de que o apoio está a desvanecer entre as gerações mais jovens da Europa e dos EUA. Em 2007, surgiu uma notícia sobre o Ministro dos Negócios Estrangeiros estar por detrás de uma sessão de fotografias publicada na Maxim, um revista para homens muito popular nos EUA, na qual soldados israelitas mulheres posaram em fato-de-banho. Jonathan Cook é escritor e jornalista baseado em Nazaré, Israel. Os seus últimos livros são "Israel and the Clash of Civilisations: Iraq, Iran and the Plan to Remake the Middle East" (Pluto Press) e "Disappearing Palestine: Israel's Experiments in Human Despair" (Zed Books). O seu site é www.jkcook.net 22 de Julho de 2009 Tradução de Sofia Gomes 1 Talkbackers são indivíduos frequentadores e criadores de blogs, fóruns e comunidades de discussão na Internet. |
A crise parece não ter chegado aos bolsos dos banqueiros. Os quatro maiores bancos privados portugueses apresentaram no final do primeiro semestre deste ano 760,7 milhões de euros de lucros, uma subida de 17,4 por cento em relação a 2008. Na prática, corresponde a 4 milhões de euros de lucros por dia. Por outro lado, os impostos pagos pelos bancos desceram 16,7%, menos 32,4 milhões de euros. Apesar da crise, os quatro grandes bancos privados protugueses, BES, BCP, BPI e Santander Totta, apresentaram no final da primeira metade de 2009 lucros de 760,7 milhões de euros, uma subida homóloga de 17,4 por cento. |
Privatizar tudo, tornar todos os serviços fundamentais para uma pessoa viver minimamente e com dignidade, em serviços que tenham o objectivo primário de dar lucro, só lucro, não o objectivo real e essencial do serviço em si, como por exemplo a saúde, a captação e distribuição de água, a assistência social bem como a segurança social e ainda a energia e sua distribuição, estes são exemplos mínimos do que não deve ser privatizado, sob pena de o pouco que temos ser delapidado para usufruto de muito poucos com capital.
- O BPN, foi logo nacionalizado, ainda em Novembro de 2008. Com encaixes de dinheiro fresco e sucessivos que vão neste momento em mais de 2,8 mil milhões de Euros. Mas pode ainda ser pior, vão colocar mais dinheiro para depois voltar a entregar a privados. De toda esta liquidez entregue a uma administração proposta pela CGD, uma parte, que é mais de metade, vamos pagar nós, todos nós contribuintes Portugueses e sem qualquer benefício. Nem sequer já falo do administrador e fundador do banco em prisão preventiva, ou do novo arguido, agora ex conselheiro de estado. Todos eles excelsas figuras de direita, e só de direita, com ligações a governos de direita e desgovernados por ela.
- O BPP, é outro caso eventualmente de polícia, ainda se apuram factos e algumas certezas, sendo que a sua compra foi proposta a semana passada por um euro! Significativo… não?
Amândio Fernandes
Candidato do Bloco de Esquerda
Câmara Municipal da Marinha Grande
A única solução é diminuir drasticamente o desemprego. As soluções até aqui apresentadas pelo governo PS, não baixaram a taxa de desemprego, pelo contrário, aumentaram brutalmente as pessoas que neste momento se encontram em situação de desespero e sem mercado de trabalho, estão mesmo a deixar de saber onde o procurar. Factos: os recém-licenciados sem ocupação de trabalho, procuram e encontram no estrangeiro, aquilo que aqui não conseguem – trabalho bem remunerado consoante as suas capacidades – daqui a uns anos vamos ouvir os donos das empresas reclamar que não têm quadros qualificados, pois não, deixam-nos ir embora. O querido ministro que disse que tínhamos possibilidades na Europa porque a nossa mão-de-obra era barata, já foi de férias… definitivas espero eu, eventualmente vai dedicar-se à tauromaquia.
Francisco Louça faz uma afirmação que me deixa atónito; O Bloco de Esquerda estima que o custo económico do desemprego será "muito mais que o custo de todas as obras públicas que estão a ser discutidas até 2009", estamos a falar de mais de 21.000 Milhões de Euros (MME), que é uma soma absolutamente astronómica e indecente.
Por aqui neste cantinho do Pinhal de Leiria, na Marinha Grande, somos confrontados com repastos entre alguns propostos a autarcas do psd, da cdu e do ps, estarão desde já a fazer a divisão do bolo que julgam ser este Concelho. Não contam é com uma coisa…As pessoas é que votam, as mulheres e homens da Marinha Grande é que têm que colocar a cruzinha, no quadrado que acham mais responsável para melhorar o Concelho. O Povo está atento e desconfiado, não vai aceitar mais trapaças da direita nem jogos de bastidores só para ocupar um lugar de relevo na percentagem que lhes caberá, parece até que ganham à comissão. A coragem necessária para dizer que não se importam de se colar a A ou a B depois das eleições, essa sim era precisa agora, devia ser mesmo obrigatória, isto se elegerem alguém, claro está.
Transportes Públicos, aqui chamam-se TUMG. Ainda bem que arrancaram, se bem que com atraso suficiente e bem recheado de polémicas pueris. O atraso serviu para aumentar as custas públicas, a polémica para lavar roupa suja, sendo que já à muito deveria estar lavada, estendida e mesma seca. Nunca mais aprendem a deixar o supérfluo e acessório de lado e enveredar por realizações objectivas e pragmaticamente concretas. O povo entretanto vai pagando… A 11 de Outubro, o mais provável é apresentar a factura e exigir logo o pagamento.
Mais uma vez, os únicos realmente responsáveis porque estavam presentes (30.06.09), respectivamente Luís Guerra Marques e José Rodrigues, eleitos pelo povo, eram os únicos presentes pelas 21 horas, hora marcada para começar a Assembleia Municipal. Não faço esta afirmação em vão, as AM começam constantemente atrasadas porque suas excelências pensam que têm sempre o direito de chegar retardados, só houve quórum perto das 21.30h. O Povo espera… por enquanto.
amândio fernandes
Francisco Louçã, coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda apresentou no domingo o programa com que o partido se apresenta às próximas eleições e que tem como prioridade absoluta o combate ao desemprego. O Bloco de Esquerda estima que o custo económico do desemprego será de 21 mil milhões de euros em 2009, "muito mais que o custo de todas as obras públicas que estão a ser discutidas até 2020". Do programa, que tem mais de uma centena e meia de páginas, Louçã destacou um conjunto de cinco medidas para combater a crise, e disse que o maior problema de governabilidade que o país atravessa chama-se "maioria absoluta, que levou o país ao desastre". Aceda aqui ao programa (em pdf). Francisco Louçã começou por destacar a forma como o programa foi elaborado, "um processo que fará história e criará tradição". Desde Fevereiro, o Bloco abriu um portal especificamente dedicado à discussão do programa, que contou com contribuições de especialistas e activistas que deram livremente os seus contributos e opiniões. O site foi também cenário de debates transmitidos online em vídeo. Findo este período, a Mesa Nacional aprovou um anteprojecto que foi de novo submetido ao debate, e finalmente transformado na actual versão final. Louçã destacou o contraste com os partidos do bloco central, "que parecem mais preocupados em atrair para o seu lado ex-ministros do outro partido", citando Augusto Mateus e Campos e Cunha que discutem com o PSD, e António Mexia com o PS. Antes de apresentar as principais medidas do programa, Louçã fez questão de sublinhar a amplitude do desastre económico e social que Portugal vive, mostrando que o impacto do caso BPN é três vezes superior ao escândalo Madoff nos EUA, comparando os valores envolvidos com o PIB per capita de cada país. Perante a crise, os partidos do bloco central entraram numa discussão infernal sobre os investimentos em grandes obras públicas, esquecendo-se que o desemprego representa para o país um custo de 21 mil milhões de euros, muito superior ao custo previsto de todas as obras públicas programadas até 2009. Ora o Bloco de Esquerda quer discutir as pessoas e os seus problemas em primeiro lugar, e por isso a prioridade não é se se constrói um novo aeroporto daqui a uns anos, mas sim como se combate o desemprego aqui e agora. O deputado bloquista passou então a enumerar um conjunto de cinco medidas prioritárias do programa nas áreas de: 1. Reabilitação urbana; 2. Sistema bancário e combate à corrupção; 3. Justiça e combate à corrupção; 4. Serviços públicos; 5. Reforma da Segurança Social para pagar a dívida interna do país. No primeiro grupo de medidas, Louçã destacou o aumento do IMI sobre as casas desocupadas (estimadas em 300 mil fora do mercado), para forçar os proprietários a alugar ou vender; o crédito bonificado aos senhorios para obras; e, no caso dos senhorios que nem assim podem fazer obras, o Estado assume os custos das obras e depois aluga por um período de cinco a dez anos, devolvendo passado esse tempo o imóvel ao proprietário. "Estas medidas dão emprego a operários e artífices, criam empregos concretos desde logo e não daqui alguns anos à Mota Engil", observou Louçã. Sobre o sistema bancário, Francisco Louçã defendeu que a Caixa Geral de Depósitos cobre juros não-especulativos, provocando assim a queda dos spreads com que os bancos estão a castigar as pessoas. Sobre a Justiça defendeu um novo regime de custas judiciárias, promovendo o acesso à Justiça a quem não pode pagar um advogado, criando também um defensor público, instituição nova. Para combater a corrupção, defendeu o fim do segredo bancário, o fim do offshore da Madeira e o controlo dos movimentos financeiros. Quanto aos serviços públicos, defendeu, entre outras medidas, a ampliação do Serviço Nacional de Saúde, incorporando a medicina dentária, e o estabelecimento de contratos de dez anos do SNS com os médicos em formação. Finalmente, quanto às reformas defendeu o aumento das pensões de forma a convergirem as mais baixas com o salário mínimo nacional, e apresentou novas formas de financiamento. A terminar, Louçã insistiu que o Bloco de Esquerda "está pronto a assumir a força que os eleitores lhe derem" com vista a uma "alternativa de esquerda de confiança, socialista", mas que nunca estará disponível a apoiar governos e medidas que levaram o país ao desastre. |
A economia está um caos, o desemprego aumenta, a indústria automóvel está à beira do colapso, mas os lucros das Companhias Chevron e Shell são os mais elevados de sempre. Ainda assim, pelo mundo fora, desde a selva equatoriana ao delta do Níger, aos tribunais e às ruas de Nova York e San Ramon, Califórnia, as pessoas lutam contra os gigantes petrolíferos mundiais.
A Shell e a Chevron são o centro das atenções esta semana, com as assembleias-gerais de accionistas e um julgamento histórico que está a ter lugar.
No dia 13 de Maio, o exército militar nigeriano lançou um ataque a povoações no delta do Níger, uma zona do país rica em petróleo. Receia-se que centenas de civis tenham sido feridos nesta ofensiva. De acordo com a Amnistia Internacional, foi atacada uma festa na povoação de Oporoza, na área do delta. Uma testemunha relatou à organização: "Escutei o ruído de um avião; observei dois helicópteros militares disparando na direcção das casas, do palácio e contra nós. Tivemos de correr para um local seguro dentro da selva. No mato, ouvi adultos a chorar, muitas mães não conseguiam encontrar os seus filhos; toda a gente correu para salvar a sua vida."
A Shell enfrenta um processo no Tribunal Federal dos EUA, o caso Wiwa vs Shell, que tem como base a alegada colaboração da petrolífera com a ditadura nigeriana, nos anos 90, na violenta repressão do movimento de base do povo Ogoni do delta do Níger. A Shell explora as riquezas petrolíferas do delta do Níger, provocando a deslocação da sua gente, a poluição e a desflorestação. No processo, a acusação alega ainda que a Shell colaborou para a eliminação do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni e do seu carismático líder, Ken Saro-Wima. Saro-Wima tinha sido o autor da mais popular novela na Nigéria, mas decidiu solidarizar-se com os Ogoni, cujo território junto ao delta do Níger é atravessado por oleodutos. As crianças dos Ogoni não conheciam uma noite escura, viviam debaixo de chamas de gás do tamanho de edifícios, dia e noite, e isto é ilegal nos Estados Unidos da América.
Em 1994 entrevistei Saro-Wiwa, que me disse: "As empresas petrolíferas gostam das ditaduras militares porque, basicamente, com a cobertura destas ditaduras podem corromper. As ditaduras são brutais para com as pessoas, podem negar os direitos humanos das pessoas e das comunidades com a maior das facilidades, sem escrúpulos." E acrescentou, "Sou um homem marcado". Saro-Wiwa regressou à Nigéria e foi detido pela Junta Militar. No dia 10 de Novembro de 1995, depois de um julgamento sumário, foi enforcado juntamente com outros oito activistas Ogoni.
Em 1998, viajei com o jornalista Jeremy Scahill ao delta do Niger. Um executivo da Chevron que ali se encontrava disse-nos que a empresa tinha levado tropas da Força Policial Móvel Nigeriana - conhecida pela sua péssima reputação, nomeadamente pela política de "matar e sair" - num helicóptero da companhia até uma plataforma petrolífera ocupada por pacifistas. Dois activistas foram assassinados e muitos outros foram detidos e torturados.
Oronto Douglas, um dos advogados de Saro-Wiwa, disse-nos: "Está claro que a Chevron, tal como a Shell, utiliza as Forças Armadas para proteger as suas actividades petrolíferas. Perfuram e matam."
A Chevron é a segunda maior accionista (depois da empresa petrolífera francesa Total) do projecto do campo de gás natural e gasoduto de Yadana, na Birmânia (que a Junta Militar renomeou por Myanmar). O gasoduto é a maior fonte de lucro da Junta Militar, que lhes rendeu cerca de mil milhões de dólares em 2007. A Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que foi eleita pelo povo para líder da Birmânia em 1990, esteve detida em prisão domiciliária 14 dos últimos 20 anos e será novamente julgada esta semana (na terça-feira o governo disse que a prisão domiciliária dependia do resultado do julgamento). O Governo dos EUA proíbe desde 1997 que todas as empresas norte-americanas invistam na Birmânia, mas a Chevron tem uma cláusula de excepção desde que adquiriu a empresa petrolífera local, a Unocal.
A imensa lista de abusos semelhantes praticados pela Chevron, desde as Filipinas ao Cazaquistão, Chade, Camarões, Iraque, Equador e Angola, bem como nos EUA e no Canada, é detalhada num relatório anual alternativo, preparado por uma coligação de organizações não governamentais, que é distribuído aos accionistas da Chevron no encontro anual desta semana, e ao público em geral em TrueCostofChevron.com.
A Chevron está a ser investigada pelo Procurador-Geral de Nova York Andrew Cuomo no que respeita ao facto de a empresa ter sido "precisa e exaustiva" na descrição das suas responsabilidades legais. Sem dúvida que goza de uma larga tradição de contratar gente poderosa da política. Condoleezza Rice foi directora da empresa durante muito tempo (houve mesmo um petroleiro de carga baptizado com o seu nome), e recentemente contratou, na qualidade de assessor geral, nada menos que o advogado William J. Haynes, que desprestigiou o Pentágono e que defendeu as "técnicas duras de interrogatório", incluindo o afogamento simulado. O General James L. Jones, assessor do presidente Obama para a Segurança Nacional, integrou a direcção da Chevron durante grande parte do ano de 2008, até ter sido nomeado para este alto cargo na Casa Branca.
Saro-Wiwa disse antes de morrer: "Vamos exigir os nossos direitos de forma pacífica, sem violência e venceremos". Um movimento popular está a crescer para fazer isso mesmo.
26 de Maio de 2009
Denis Moynihan contribuiu com a sua pesquisa para este artigo.
Tradução: Cláudia Belchior
Amy Goodman é apresentadora de "Democracy Now!" um noticiário internacional diário, nos EUA, de uma hora de duração que emite para mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em 200 emissoras em Espanhol. Em 2008 foi distinguida com o "Right Livelihood Award" também conhecido como o "Premio Nobel Alternativo", outorgado no Parlamento Sueco em Dezembro.
| Louçã: “Como é possível que os ex-ministros não tenham uma palavra sobre a máfia financeira?” |
| 20-Jun-2009 | |
Francisco Louçã falou neste Sábado em Coimbra sobre o manifesto de 28 economistas sobre investimentos públicos, tendo questionado: "Como é possível que alguns ex-ministros se reúnam e apresentem ao país um manifesto de como a economia deve ser governada e não tenham uma palavra sobre a máfia financeira, os conselhos de administração que eles frequentavam com todo o deleite, nem uma palavra sobre as perdas brutais de buracos negros em bancos". Os 28 economistas subscreveram um manifesto onde apelam ao primeiro-ministro José Sócrates para reavaliar os investimentos públicos nos projectos do TGV, novas auto-estradas e futuro aeroporto de Lisboa. Louçã considerou que o manifesto "é uma espécie de Olimpo do bloco central, em que vão buscar uma série de ex-ministros todos eles de pouca fama" e questionou: "Ora vejam Eduardo Catroga, Miguel Cadilhe, Bessa, Campos e Cunha, tudo ministros que entraram e saíram e, por isso, nós podemos perguntar: se sabiam muito o que é que fizeram?" O coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda considerou que as "obras públicas são importantes", salientou que "a prioridade dos investimentos deve ser clarificada com respostas essenciais" e concluiu, sobre os ex-ministros: "Como é que responderam ao horror económico? Com leis como o Código do Trabalho, que aumenta a precariedade e políticas económicas que facilitam o lay-off e os despedimentos. Isto é o resultado da política quando tomaram decisões". Por fim, Francisco Louçã criticou Sócrates por ter dito que os indicadores do INE sobre a vida económica "são animadores", interrogando: como é que "se pode dizer que há alguma animação quando o desemprego ultrapassa as 500 mil pessoas, continua a aumentar o trabalho precário, no trabalho temporário estão 400 mil, os contratos a prazo são um em cada três trabalhadores, o desemprego atinge um em cada 10, menos aqueles que as estatísticas não contam". A intervenção de Louçã foi feita nas jornadas autárquicas do Bloco de Esquerda de Coimbra, onde foram apresentadas as candidaturas do Bloco à Câmara e Assembleia Municipal daquele concelho. ab |